Embriaga-te
Devemos andar sempre bêbados.
É a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do tempo que te pesa sobre os ombros e te verga ao encontro da terra, deves embriagar-te sem cessar.
Com vinho, com poesia, ou com a virtude.
Escolhe tu, mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas de uma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez atenuada, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala; pergunta-lhes que horas são: "São horas de te embriagares. Para não seres como os escravos martirizados do Tempo, embriaga-te, embriaga-te sem descanso. Como vinho, com Poesia. ou com a virtude".
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Santana Lopes, continua em grande forma. Leiam estes parágrafos de uma notícia publicada no dia 11 de Dezembro, no jornal Público:
"A data de entrada em funcionamento das "brigadas da qualidade", cuja criação foi anunciada a 15 de Outubro por Pedro Santana Lopes na Assembleia Municipal de Lisboa, continua por determinar. O objectivo das equipas é "acorrer aos vários problemas que diariamente surgem na cidade". O presidente da Câmara de Lisboa indicou, na altura do anúncio, que as brigadas deviam entrar em funcionamento dali a "duas ou três semanas". Agora, quase dois meses depois, quando questionado sobre o atraso do projecto, Santana Lopes comentou: "Para a próxima digo que é dali a dois anos". "
Assim é que é Pedrito! A participação do povo no processo democrático deve limitar-se à colocação do voto na urna. Depois? Depois, é deixá-los governar sem a preocupação de justificar políticas (ou ausência das mesmas). Os jornalistas? Porque não seguir o conselho de Alberto João Jardim e fuzilá-los...viva a democaracia!!! Continuem a ler a notícia aqui.
Mas o verdadeiro achado da edição de 11 de Dezembro do Público está aqui. É um dos ataques mais fortes a Santana Lopes que eu li nas últimas semanas (algumas das críticas poderão ser imperceptíveis a quem não tenha acompanhado as últimas intervenções do autor). Vem de Fernando Rosas? Não. Vem de Eduardo Prado Coelho? Não. Vem de Miguel Sousa Tavares? Também não.
Vem de um simpatizante e militante do PSD. Entretenham-se...

MOROCCO. Rif mountains. by Harry Gruyaert
Town of Chechaouen. 1987. Street life. Walls are often painted in blue and white.
Rubber glove in front of Seagrams building
USA. New York City. by Richard Kalvar
A noite na ilha
Dormi contigo toda a noite
junto ao mar, na ilha.
Eras doce e selvagem entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Os nossos sonos uniram-se
talvez muito tarde
no alto ou no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento agita
em baixo como vermelhas raízes que se tocam.
O teu sono separou-se
talvez do meu
e andava à minha procura
pelo mar escuro
como dantes,
quando ainda não existias,
quando sem te avistar
naveguei a teu lado
e os teus olhos buscavam
o que agora
- pão, vinho, amor e cólera -
te dou às mãos cheias,
porque tu és a taça
que esperava os dons da minha vida.
Dormi contigo
toda a noite enquanto
a terra escura gira
com os vivos e os mortos,
e ao acordar de repente
no meio da sombra
o meu braço cingia a tua cintura.
Nem a noite nem o sono
puderam separar-nos.
Dormi contigo
e, ao acordar, tua boca,
saída do teu sono,
trouxe-me o sabor da terra,
da água do mar, das algas,
do âmago da tua vida,
e recebi teu beijo,
molhado pela aurora,
como se me viesse
do mar que nos cerca.
Os Versos do Capitão
Pablo Neruda
The Passenger by Bettmann
Gosto muito desta fotografia, principalmente, pela sua simplicidade e por aquilo que representa: viajar!
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Gosto especialmente destas fotografias! Ver a exposição tem outro impacto pela cor das fotografias e pelo tamanho das mesmas...

Gosto muito desta fotografia por muito estranha que possa parecer. Foi tirada às primeiras horas de uma manhã de Novembro com um Lomo Action Sampler e um rolo Kodak de 400 ASA
É assim que se deve começar por cumprimentar os amigos... seja a que horas do dia for!